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Entrevista
com
Angelo Castelo Branco
O
que você acha que mudou no relacionamento com os assessores de
imprensa nos últimos anos?
ACB - Estamos avançando num sentido mais profissional e creio
que, comparando com a média brasileira a que tenho acesso por
trabalhar em veículos de circulação também
nacional, o estado de Pernambuco reúne grupos profissionais de
boa qualidade com uma visão contemporânea sobre a atividade
de assessoria de comunicação. Ainda há casos de
textos que denunciam certos equívocos em suas concepções.
Não raras vezes estão muito mais voltados para briefing
de propaganda do que para subsidiar uma boa pauta jornalística
onde o que vale naturalmente, são as informações
objetivas e concretas, reforçadas com argumentos de números
e estatísticas comparativas. As “maravilhas” do objeto
focado pelo texto podem permear a pauta, mas não devem ser colocadas
como o principal argumento da informação porque se isso
acontece o trabalho perde consistência jornalística e passa
a ser uma propaganda sobre “vantagens”. Essa autocrítica
parece que vem sendo progressivamente feita pelas empresas de comunicação
pernambucanas. Noto que já há uma tendência de se
contextualizar as pautas dentro do universo de ação de
cada grupo assessorado para que as informações correspondam
de fato às propostas de cada cliente, com doses mínimas
de ficção. Essa mudança de conceito vem conduzindo
os profissionais de comunicação para cursos de mestrados
e doutorados, congressos e cursos de especialização, em
busca de uma visão efetiva de mercado e de endocomunicação.
Há uma efervescência nesse sentido. As empresas estão
cada dia mais bem informadas e conscientes sobre a qualidade do profissional
que deve atuar numa assessoria de mídias. É uma grande
mudança.
Em
média, quantos releases você recebe por dia?
ACB - Um correspondente de jornal recebe em média cerca de 20
textos por dia. Mas grande parte não está direcionada
sequer para a linha editorial específica do jornal e nem para
a área de circulação e público-alvo do veículo.
Há casos freqüentes em que esses releases inspiram outras
pautas, sobre temas completamente diferentes em relação
à proposta original do texto.
Você
consegue ler todos os e-mails?
ACB - Quando o assunto tem a ver com o campo de cobertura sob a minha
responsabilidade. Leio todos e descarto os que não são
compatíveis com a linha editorial dos veículos onde trabalho.
Quais
são os principais equívocos desse material?
ACB - Voltamos à pergunta número 1. São os releases
feitos para marketing de propaganda e não para um jornal. Já
recebi um texto sobre um destino turístico que começava
com a seguinte frase: “pense num lugar fantástico e paradisíaco
e você estará hospedado no hotel tal em tal praia a apenas
x horas de distancia, etc.” Como se vê, trata-se de uma
peça publicitária e não de um release capaz de
gerar uma pauta. Isso é comum. Outro equívoco vem por
conta do uso exagerado de adjetivos “o melhor do mercado”,
o “melhor do mundo”, “sem contar que representa a
melhor alternativa”, ou seja, expressões e palavras que
tendem a isolar o objeto assessorado numa redoma de qualidades pouco
recomendáveis ao jornalismo informativo. Por isso, em finais
de tardes, o lixo dos computadores de uma redação estão
cheios de releases devidamente deletados.
Quando
você precisa entrar em contato com alguma empresa (fonte) você
recorre primeiro ao assessor de imprensa?
ACB - Ligo imediatamente para a diretoria da empresa e peço
o número da assessoria de comunicação da corporação.
Creio que esse é um comportamento profissional mais adequado
por várias razões. Inclusive para valorizar o mercado
da categoria profissional a que pertenço. Há empresas
que mantêm profissionais de comunicação em seus
quadros e outras – a maioria – que contratam escritórios.
Aliás, a preservação da profissão de jornalista
passa por um ordenamento institucional desse ritual. Vale a pena realizar
um seminário reunindo todos os escritórios, delegacia
do trabalho e instituições afins para aprofundar esse
tema.
Em
geral, os assessores facilitam ou dificultam o seu trabalho?
ACB - Na maioria das vezes facilitam sim. Mas já enfrentei dificuldades
em áreas governamentais de assessorias que não dispunham
de banco de imagens embora o órgão a que me dirigi fosse
específico e criado especialmente para tratar do assunto da pauta.
Não vejo como uma organização de prestação
de serviços ou de produção industrial e de tecnologia
evoluir no mercado sem investir numa assessoria de comunicação.
De
que forma os jornalistas das assessorias poderiam facilitar a produção
de uma matéria?
ACB - Manter um arquivo de dados e textos atualizados com o máximo
rigor informativo para atender a quaisquer solicitações
da Imprensa em qualquer dia e qualquer hora. Nada mais eficiente do
que um site com esses textos básicos em dia, com fácil
acesso e com números comparativos de mercado interno, exportação,
importação, carteira de clientes, faturamento anual, etc,
dependendo naturalmente do perfil de cada empresa assessorada.
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